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Blocos de rua querem reviver Carnaval de BH
Foliões tentam resgatar tradição e atrair novos adeptos para festa na capital
08 de February de 2013 | 10h 35 - Autor(a) Ana Elizabeth Diniz

Improvise fantasia, invente-se ou saia vestido de você mesmo, o importante é não perder os blocos da alegria que invadem as ruas da cidade esbanjando bom humor e irreverência. O Carnaval de Belo Horizonte se reinventa, ganha roupa nova, atrai foliões de outros estados e arrasta multidões, gente alegre cujo único compromisso é a diversão de ótima qualidade. Os blocos carnavalescos voltaram com tudo e não dão mole não.
 
Essa reapropriação do espaço público começou espontaneamente em 2009. Um dos caras responsáveis por esse processo é o músico e agitador cultural Dudu Nicácio, idealizador do bloco da Cidade, criado em 2010 como braço do Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim, e um dos marcos da retomada do Carnaval de rua de BH. “A partir de 2009, os blocos começam a se formar, a maioria deles ligados aos movimentos de cultura. São jovens, em sua maioria, que carregam bandeiras de protesto e ainda conservam o frescor dos blocos de rua do Rio de Janeiro do passado, e que hoje se tornaram inviáveis. Por isso, tomamos o cuidado para que os blocos de BH não se tornem massificados, sem conceito, despersonalizados”, comenta Dudu.
 
Este ano, a organização do bloco substituiu o desfile pelas ruas da cidade por um baile de máscaras que aconteceu na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim com a participação, é claro, de Dudu. “Unimos a tradição da escola de samba mais antiga de Minas à animação, o frescor e a irreverência da nova geração. Queremos resgatar a magia dos bailes.”
 
E por falar em protesto, o músico criou para o bloco da Cidade uma marchinha “não ironia intencionalmente direcionada à gestão elitista de Marcio Lacerda, mas a carapuça sempre pode servir”, diz ele cantando um refrão da música: “Brincando pelas ruas da cidade, morro de vontade de cuidar desse lugar”. Ele lembra que esse movimento espontâneo dos amigos e amigos de amigos que se juntaram e criaram os blocos, “acontece em um momento político importante da cidade que tem inibido o uso do espaço público. Nós, agitadores culturais, discordamos das políticas restritivas.”
 
Na prática, muitos blocos de rua não se inscreveram na Belotur ou por protesto ou pelo excesso de burocracia. No total, foram cadastrados 52, mas a estimativa é de que mais de 70 vão invadir as ruas da cidade, num vaivém eletrizante.  
 
A relação da cidade com o Carnaval tem deixado a desejar nos últimos anos. Na década de 1980, a festa popular foi considerada a segunda mais importante do Brasil, mas foi perdendo espaço. De 1991 a 2000, não houve desfile dos blocos. Cenário que começa a se modificar. “A força dos blocos vem do samba que sempre fez parte da tradição da cidade. Temos por aqui excelentes sambistas, mas o ritmo só começou a sair do anonimato nos últimos 10 anos, quando a classe média começou, de certa forma, a se apropriar do ritmo. O que vemos hoje são os blocos de rua estabelecendo um diálogo entre várias camadas sociais da cidade, do morro com o asfalto”, diz Dudu.
 
E a cidade começou a ser invadida por essa alegria contagiante, há pelos menos 15 dias.  Pelo sexto ano consecutivo, o Trema na Linguiça abriu, no dia 26 de janeiro, o Carnaval de Belo Horizonte, com uma performance animada, mesmo debaixo da chuva que não assustou nem mesmo a Corte Momesca. O nome do bloco faz alusão à polêmica reforma ortográfica que, na verdade, foi adiada para 2016.  O presidente do Trema na Linguiça, Carlos da Rocha, ressalta o caráter democrático do bloco. “Qualquer pessoa pode participar. Este ano, contamos com a presença de passistas que desfilaram ao lado de sambistas mineiros como Ivo do Pandeiro e Ubiratan do Cavaco.”
 
Inspirado em vídeo que bombou na internet, quando um doador de sangue se assustou com o tamanho da agulha e literalmente exclamou “cacete de agulha”, o bloco homônimo foi idealizado por um grupo de amigos que curtiu demais a espontaneidade do rapaz que se chama Cristiano e mora em Betim. “Nós o convidamos para participar do bloco, mas ele não quis. Acho que ficou traumatizado”, revela o músico Eduardo Garcia, o Garbo, um dos idealizadores do bloco, que sai pelo terceiro ano consecutivo.
 
No ano passado, 600 pessoas saíram no bloco e a expectativa é de mil pessoas neste Carnaval. A saída acontece na avenida Brasil 41, no Santa Efigênia e termina na praça da Liberdade. Assim como Cristiano, o sujeito doador de sangue, o bloco se destaca pela espontaneidade. “Nosso bloco, assim como a bateria, é aberto. Quem quiser participar é só entrar em contato”, diz Garbo, que curtia o Carnaval no Rio  e outras cidades do interior até que, em 2010, ficou por aqui e se impressionou com a qualidade e animação.
 
Mesmo os blocos passam por períodos de apogeu e declínio. A famosa Banda Santa, que agitava galera de cerca de 30 mil pessoas pelas ruas do tradicional bairro de Santa Tereza, desapareceu, ou melhor, foi abortada. É o que conta o músico Ângelo Lima, o Pantyola, mentor da banda. “Foi a única solução viável porque o bairro não suportava o número excessivo de foliões que saiu fora do controle. Moradores e comerciantes não suportavam tamanha confusão.”
 
Pantyola resolveu reviver a experiência e, no ano passado, colocou na rua o Santê e os Inocentes de Santa Thereza, que reuniu 2 mil foliões. “Foi um desfile organizado, sem tumultos, com policiamento e as famílias brincando em clima de tranquilidade. No dia 12 sairemos às ruas com uma campanha sobre o trânsito, cujo lema é Vim, bebi, mas não vou dirigir – se beber respeite o próximo, respeito é bom e eu gosto, junto com o bloco caricato dos Inocentes de Santa Thereza e da bateria formada por moradores do bairro.”
 
O desfile das escolas de samba vem aos poucos recuperando terreno perdido. Prova disso é a estreia da Escola de Samba Força Real, idealizada pelo aficionado por Carnaval, o turismólogo Felipe Diniz Marinho. “Representamos os bairros Dom Bosco e Ipanema, localizados na região Noroeste, e as nossas cores são o verde, o vermelho e o branco, símbolo da coroa imperial.” A escola tem 250 componentes a partir dos 13 anos e é uma confraria de amigos que se divide em 13 alas e dois carros alegóricos. “O tema é Sorte ou azar, as cartas vão falar, em que desvelamos a história do baralho na trajetória da humanidade”, conta Felipe.
 
O carnavalesco é Bráulio Malheiro que já foi das escolas de samba cariocas São Clemente, Império da Tijuca, Caprichosos e autor do samba enredo em parceira com Serginho BH. Felipe diz que é preciso fôlego e desapego para manter uma escola de samba hoje. “A gente tira dinheiro do próprio bolso, porque não temos apoio. Carnaval é pura paixão. É preciso lapidar essa festa popular que poderia ser tratada com mais carinho pela cidade. Nesse sentido, os blocos de rua estão ajudando a colocar fim ao mito de que BH não tem competência para fazer Carnaval. Prova disso é que em 2004, quando as escolas voltaram a desfilar, havia 180 componentes. Hoje são 700 foliões.”
 
 
E de folia, Elisa de Sena, produtora cultural, entende. Com uma verve musical aflorada, ela já fazia parte do grupo Tambor Mineiro, criado por Maurício Tizumba. Boa percussionista, logo se encantou com o batidão do bloco Baian@as Ozad@as. “Acompanhei o grupo desde o início e, este ano, ele sai de forma mais organizada. Nos últimos quatro anos tenho visto um movimento muito legal acontecendo em BH: esse crescimento de blocos formados por amigos que se juntam para tocar e compartilhar alegria. O mais bacana é esse espírito familiar, sem confusão e todo mundo se divertindo. Agora, não sei o que pode acontecer daqui a cinco anos, quando esse movimento crescer.” Ela diz que antes viajava para fugir da confusão e evitar percalços. “Agora não arredo pé daqui porque posso me divertir sem confusão.”
 
O publicitário Geo Cardoso é o fundador do bloco Bain@as Ozad@as, junto com três primos também baianos. “A gente sempre se reunia com os amigos para tocar as músicas da nossa terra, mas era tudo meio informal. No ano passado, empolgados com o rumo que os blocos de rua estão tomando, criamos o nosso que contava com sete homens e duas mulheres, todos vestidos de baianos e mais um chileno que foi o porta-estandarte. Muitas pessoas se juntaram a nós.”
 
Este ano, o bloco vai homenagear os 50 anos de Luiz Caldas, o pai do axé music, e o tema é Aja amor pra foliar. A bateria tem 35 pessoas e será puxada pelos vocalistas Geo e Heleno Augusto. “O desfile vai ser feito na contramão da rua da Bahia. Vamos terminar lavando as escadarias do edifício Sulacap, uma alegoria com as do Senhor do Bonfim”, diz Geo.
 
A advogada Patrícia Magalhães tem a mesma opinião e já está contando os dias para a festa de rua no reduto de Santa Tereza. “No ano passado, meus amigos me falaram que estava acontecendo um Carnaval de rua civilizado, bom astral. Gostei tanto que voltei no dia seguinte. O que acho bacana é esse ambiente mais familiar. A festa acontece sem as cenas intoleráveis de falta de respeito. Isso é essencial para quem namora.”
 

O namorado em questão é o advogado Gustavo Tavares Simão e Silva que, quando mais novo, passou o Carnaval em Salvador e no Rio de Janeiro, mas, ultimamente, prefere se esbaldar nos blocos ao lado de sua musa. “Ficando na cidade gasto menos. Gosto desse clima nas ruas. O Carnaval tinha morrido, mas ressuscitou há uns três anos e isso é bom. Dessa vez vou levar minhas filhas Carolina e Eduarda, de 5 anos, para a folia”, diz.
 
Esse alto astral tem atraído foliões de outros estados como a carioca Gizane Silva, a Gigi, redatora publicitária e poeta. 
Quando pergunto a ela o que uma carioca vem fazer em BH no Carnaval, ela ri e diz que já ouviu isso durante os cinco dias em que ficou na cidade, no ano passado. “Na verdade, nem eu sabia direito, mas foi só ir pra rua que comecei a descobrir. Eu vim para curtir um Carnaval de rua gostoso, sem confusão, como já não vejo mais há alguns anos no Rio. Fiquei encantada com as fantasias criativas. Poder sambar sem a preocupação de levar um encontrão e ser furtada.” Gigi não se esquece dos “coraçõezinhos colados nos rostos dos foliões (ação fofa demais do Bloco do Amor). Passei o Carnaval assim, indo pra rua todos os dias para descobrir, entre um tamborim e outro, entre uma reboladinha e outra, entre uma mão cheia de confetes e outra, o que eu tinha ido fazer lá.”
 
A foliona carioca revela que se esbaldou pela avenida Brasil. “Não, ela não tem nada a ver com a nossa, do Rio, é limpa, bem cuidada e arborizada. Sambei livremente pra lá e pra cá, e tudo na mais perfeita ordem com polícia, banheiros químicos e ambulantes bem-educados.” Irreverente, Gigi, que se vestiu de Magali no ano passado, plagiou os mineiros e sentenciou: “Nú! Foi folia demais da conta, sô! Já estou de malas prontas para me acabar na folia na cidade novamente. Ô vô (de novo)”, avisa.
 
Nesse arrastão da alegria desfilou a Banda Mole, a mais antiga e tradicional da cidade, que neste ano completou 38 anos de farra e levou para as ruas cerca de 50 mil foliões que se acabaram atrás de três trios elétricos, bandas, baterias e 15 artistas, entre eles, Luiz Caldas. A banda homenageou o arquiteto Oscar Niemeyer e teve como tema o mensalão com o refrão Mensaleiro não conta prosa na corte do Barbosa.
 
O produtor cultural Kuru Lima, gestor da Banda Mole, ressalta a importância desse momento em que os blocos ganham sobrevida. “A nossa vocação de Carnaval são os blocos que chegaram até nós por meio de Ouro Preto, que tem uma ótima tradição de rua. Esse movimento enfraqueceu no final dos anos 1980, mas retomou em 2010. Acho muito legal, eles são espontâneos, tranquilos, pacíficos e estão livres das cordas dos abadás. Devem ser valorizados e respeitados pelo poder público porque podem se transformar em um grande destino turístico.”
 

A força dessa ressurreição pode ser vista nas músicas que participaram do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2013, organizado pela Banda Mole. Foram 170 marchinhas inscritas, 12 pré-selecionadas e três finalistas: Imagina na Copa, Solta o Toim e O Eco do Buraco que, em tom irônico, fazem trocadilhos com as obras em andamento na cidade em função da Copa do Mundo, com as declarações do prefeito Marcio Lacerda sobre ser “babá do cidadão”. A marchinha Conexão BH, de Diogo Torino e Heleno Augusto, pega o mote do resgate dos blocos de rua e anuncia: “Que confusão: trocaram minha passagem de avião, em vez de Recife, fui parar em BH, em pleno Carnaval”.
 
E o que dizer da carismática Ana Eliza de Souza conhecida como Doneliza? A sambista que nasceu em Águas Formosas, Norte de Minas, vem de uma geração de batuqueiros, rezadores. “Tenho raiz africana, sou tataraneta de ex-escravos que vieram de Luanda. Meu pai, João Batista de Souza, era trovador e nossa família sempre se reunia para compor e cantar. Comecei a compor aos 10 anos e hoje tenho perto de 500 músicas de vários estilos, sertanejas, bolero, mas a maioria samba”, relembra.
 
Doneliza foi a autora do samba enredo da escola Inconfidência Mineira, fundada na década de 1940, e cujo último desfile aconteceu no fatídico ano 2000. “Minha paixão é o Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim, onde desfilei até 2010. Já saí nos blocos caricatos Os Presidiários e Mulheres de Saia Curta, na década de 70. Um tempo em que ainda existia Carnaval bonito de se ver, com muitas escolas disputando. A competição era acirrada, mas sem brigas”, diz a sambista com certa nostalgia. E conclui: “Já estivemos no topo, mas acho que Deus está olhando por nós. A volta dos blocos de rua é como uma bênção chegando aos corações das pessoas, mas ainda está longe de alcançar a glória que um dia já vivenciamos.”
 
Confira programação do Carnaval na capital:
 
Tô de Bôa! Arreda aí!
Quando: 9/2, 15h30
Concentração: praça Comendador Negrão de Lima, Floresta
 
Então, Brilha!
Quando: 9/2, 9h
Concentração: rua Guaicurus, 660, centro
 
Approach
Quando: 9/2, 14h às 20h
Concentração: avenida Brasil, 41, Santa Efigênia
 
De Seu Bento à Dona Lúcia
Quando: 9/2, 12 às 20h
Concentração: praça Arcângelo Maletta, Santa Lúcia
 
Cacete de Agulha 
Quando:10/2, 11h
Concentração: avenida Brasil, 41, Santa Efigênia
 
Santê e o Os Inocentes de Santa Thereza
Quando: 12/2, 13h às 18h
Concentração: rua Grafito com Mármore, Santa Tereza
 
Rola Moça 
Quando: 10/2, 11h
Concentração: praça Duque de Caxias, Santa Tereza
 
Esquina
Quando: 10/2, 13h
Concentração: rua Paraisópolis, 738, Santa Tereza
 
Alcova
Quando: 10/2, 19h às 22h
Concentração: praça Duque de Caxias, Santa Tereza
 
Du Seu Pai e Filhas de Gaby
Quando: 10/2, 14 às 16h
Concentração: rua Pirité, 137, Santa Tereza
 
Batiza
Quando: 10/2, 14h
Concentração: rua Sapucaí, Floresta
 
Baian@s Ozad@s
Quando: 11/2, 13 às 19h
Concentração: rua da Bahia com Gonçalves Dias, Lourdes
 
João Careca
Quando: 11/2, 15h
Concentração: praça JK, Sion
 
Unidos do Barro Preto
Quando: 11/2, 14h
Concentração: rua Juiz de Fora, próximo ao número 114, Barro Preto
 
Filhos de Tcha Tcha
Quando: 11/2, 14h
Concentração: rua Jataí, 1309, Concórdia 
 
Corte Devassa
Quando: 11/2, 14h
Concentração: rua Sapucaí, Floresta
 
Bom Bloquiu
Quando: 11/2, 11h
Concentração: praça da Bandeira, Mangabeiras
 
Coletivo do Delírio
Quando: 12/2, a partir das 14h
Concentração: avenida Getúlio Vargas, esquina com Contorno, Funcionários
 
SBC (Samba, Bobagem e Cerveja)
Quando: 12/2, a partir das 14h
Concentração: rua Vila Rica 637, Padre Eustáquio
 
Não Bloco
Quando: 13/2, 15h
Concentração: praça Duque de Caxias, Santa Tereza
 
2 lá 2 cá
Quando: 16/3, a partir das 12h
Concentração: rua João Lúcio Brandão, Prado
 
Movimento Black Soul Music MG
Quando: sempre aos domingos, 14h às 17h
Concentração:  praça da Estação
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Tópicos: carnaval 2013, carnaval bh, Carnaval em BH, bloco carnavalesco, blocos de rua, Tradição, Reportagem
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